Ainda incerta parceria PDVSA e Petrobras

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  • Postado em 29 de janeiro, 2012


    Chico Santos

    Apesar da carência de sinalização positiva pelo lado brasileiro, os venezuelanos da PDVSA estão otimistas quanto ao desfecho positivo das negociações com a Petrobras para a formalização da parceria, na base de 60% para a estatal brasileira e de 40% para a venezuelana, no controle da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, projeto hoje tocado exclusivamente pela Petrobras. Se não amanhã, data final do acordo de prorrogação de prazo assinado em novembro pelas duas empresas, nos próximos dias ou semanas.

    A PDVSA nega-se a fazer declarações sobre o assunto, mas em Caracas é dado como certo que o negócio será fechado e também que, se não for possível anunciar o desfecho amanhã, haverá novo prazo, conforme garantem os venezuelanos. Acerto nesse sentido foi feito em dezembro, informalmente, pela presidente Dilma Rousseff e o líder venezuelano Hugo Chavez. Por esse compromisso, o prazo poderia chegar até 31 de março. Mas a Petrobras só reconhece, por enquanto, o prazo de 31 de janeiro.

    A novela arrasta-se desde 2005, quando foi assinado o compromisso entre as duas empresas para construir a refinaria, em parceria igualitária, depois revista para as participações atuais. A refinaria, já com cerca de metade da obra pronta, terá capacidade para processar 220 mil barris de petróleo pesado por dia, devendo ser abastecida com 50% de óleo de cada um dos dois parceiros.

    A Abreu e Lima está orçada em aproximadamente R$ 26 bilhões e prevista para operar no primeiro semestre de 2013. Para iniciar as obras sozinha, a Petrobras tomou R$ 10 bilhões emprestados no BNDES e, desde agosto passado, vem tocando o projeto com recursos próprios porque o empréstimo já foi todo gasto. Para fechar a parceria, a PDVSA precisa assumir 40% da dívida da Petrobras com o banco, cobrir sua parte no que já foi gasto de recursos próprio e fazer com a estatal brasileira um cronograma de desembolsos futuros.

    Durante muito tempo, a PDVSA não conseguiu apresentar garantias aceitáveis ao BNDES para assumir sua parte na dívida. No começo de outubro, segundo a Petrobras, o banco informou que recebera garantias consideradas aceitáveis, mas a empresa brasileira advertia que ainda não eram suficientes para elas serem aprovadas pelo banco.

    Desde então, pouco mudou, embora os venezuelanos estejam certos que essa parte está praticamente resolvida, com garantias bancárias do China Development Bank (50%), do Banco Espírito Santo (25%) e do Banco do Brasil (25%). O BNDES não quis comentar.

    Desde que a parceria foi aventada, ela nunca contou com a simpatia do corpo técnico da Petrobras. Primeiro, pelo temor de perder mercado de combustíveis no Norte e Nordeste do Brasil para a PDVSA. Depois, por vários fatores, inclusive o temor de que a associação não seja produtiva, como acabou não vingando a que foi feita na refinaria Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul, com a espanhola Repsol (30%), desfeita em 2010.

    As razões de Estado e de comércio são mais fortes. Além dos compromissos de integração regional, há a perspectiva de que os 110 mil barris de petróleo por dia que serão importados pelo Brasil reequilibrem a balança comercial entre os dois países, altamente deficitária para os venezuelanos há mais de dez anos.

    O último déficit para o Brasil foi em 2000, US$ 575 milhões, com exportações de US$ 753 milhões e importações de US$ 1,33 bilhão.

    Desde então foram saldos cada vez mais elevados para o Brasil, chegando em 2008 ao recorde de US$ 4,61 bilhões, com uma pauta diversificadas que inclui veículos, máquinas e medicamentos. O Brasil teria substituído a Colômbia como importante supridor externo do mercado venezuelano na medida em que se avolumavam os conflitos diplomáticos entre os dois países andinos.

    No ano passado o saldo brasileiro foi de US$ 3,32 bilhões, embora as importações de produtos venezuelanos tenha crescido 79,84%, atingindo US$ 1,27 bilhão (quase a metade formada por nafta e chapas de aço). O Brasil exportou US$ 4,59 bilhões, com destaques para açúcar, carnes, partes e peças de veículos, pneus, medicamentos, motores e máquinas agrícolas.

    Valor Econômico/AC



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