A NATUREZA QUE ATRAI O CHARME

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  • Postado em 26 de janeiro, 2012


    Fotos de Bruno Agostini

    VILA KALANGO: inaugurada em 2000, é precursora em hospedagem de luxo e turismo sustentável

    CHILI BEACH: exclusiva, tem apenas seis quartos, vista incrível e bar aberto a não hóspedes

    RANCHO DO KITE: na Praia do Preá, é voltada aos praticantes do esporte

    Bruno Agostini bruno.agostini@oglobo.com

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    iferentemente de Canoa Quebrada, que apareceu para os turistas ainda na década de 1970, Jericoacoara começou a ser desvendada pelos mochileiros a partir dos anos 1980. A fama só veio depois de 1995, 1996. Isso fez toda a diferença. Protegida pelo parque nacional que leva o nome do lugar, conseguiu preservar de maneira bastante satisfatória o ecossistema, ainda que haja um fluxo um tanto desordenado de turistas, que fazem bate e volta a partir de Fortaleza. Foi justamente essa natureza em estado bruto que atraiu à região muitos investimentos em hotelaria.

    Não faltam propriedades bem localizadas e espaçosas, exclusivas e charmosas, que atendem aos públicos mais diversos, das famílias aos casais, dos praticantes de kitesurfe aos adeptos do windsurfe. Mesmo isolada, Jericoacoara apresenta um time de pousadas de alta qualidade, com ótima estrutura e que atende aos viajantes mais exigentes. E o melhor, com boas promoções no futuro breve: vale a pena ficar de olhos nos descontos da baixa temporada, que começa em março e vai até julho.

    A mais exclusiva e confortável de todas é a Chili Beach, que tem apenas seis apartamentos, bonitos e espaçosos, e é a preferida dos casais mais descolados, atraídos pelo ambiente clean, com predomínio de branco; pela trilha sonora certeira, com jazz e boas escolhas eletrônicas; pelo iPod no quarto e por todos aqueles mimos a que nos acostumamos na civilização, como TV de LCD, internet wi-fi, roupa de cama de algodão egípcio, travesseiros com plumas de ganso e muito bom gosto na decoração. Ao contrário das outras boas pousadas de Jeri, não está na beira da praia, mas a cinco minutos de caminhada. E daí? Melhor que isso, o hotel fica debruçado sobre o mar, e quem se hospeda ali sobe a Duna do Pôr do Sol apenas se quiser, porque o panorama que se tem do entardecer na piscina de borda infinita é tão belo quanto. Quem não estiver hospedado ali pode ir até lá para jantar ou ao menos um drinque na hora do pôr do sol. Vale a pena. Na baixa temporada, de 26 de fevereiro a 8 de julho, as diárias nas suítes com vista para o mar caem para R$540 (contra R$980 na alta).

    A pousada mais famosa do pedaço, porém, é a Vila Kalango (diárias a partir de R$280, na baixa, e R$380, na alta), que fica no lado esquerdo da praia, e tem decoração rústica, com bangalôs de madeira e teto de palha. Inaugurada em 2000, foi a precursora entre as pousadas de luxo, voltadas a casais, com preocupações de sustentabilidade. A piscina, imensa, consegue o que parece impossível: tem hóspede que nem quer saber da praia, defronte, e passa a tarde entre um mergulho e outro, relaxando com um bom livro em mãos nas espreguiçadeiras de madeira, com colchonete aconchegante. O jardim é lindo, cheio de coqueiros e cajueiros. Para quem está hospedado ali vale a pena contratar o transfer, em carros 4×4, a partir de Fortaleza, viagem que demora o dia inteiro, indo pelas praias: é um belo começo de viagem. Aos que não estão hospedados, resta uma visita ao restaurante, que serve uma vistosa lagosta grelhada com palmito, com vista privilegiada para praia, já que fica no segundo andar da construção principal do hotel, em um ambiente despojado, com mesas de madeira, cadeiras de palha e belas toalhas de crochê.

    Localizada na Praia do Preá, a cerca de 20 minutos de carro, a pousada Rancho do Kite (diárias a partir de R$190, na alta, e R$290, na baixa) deixa claro no nome o seu público-alvo, os praticantes do esporte, que ali encontram ótimos ventos. Para os iniciantes, há aulas e equipamentos para alugar. Apesar da propensão a atrair essa tribo, vale considerar a hospedagem, mesmo se você não estiver nem aí para os ventos, desde que queira paz: os bangalôs são um charme só, unindo rusticidade e conforto, com decoração caprichada. Basta sair da pousada para estar com os pés na areia. Na realidade, o próprio chão da pousada é deliciosamente de areia.

    De perfil mais familiar, o hotel Mosquito Blue (diárias a partir de R$250, na baixa, e R$380, na alta) está bem no miolo da praia de Jericoacoara, e tem um bom restaurante aberto a não hóspedes no qual podemos fazer uma boa refeição com os pés afundados na areia, ao sabor de uma boa taça de vinho (o lugar tem uma bela adega, com uma ótima seleção de rótulos), com direito a medalhões como Sassicaia. O spa My Blue é o melhor do pedaço, com vários tratamentos diferentes feitos em ambiente agradável, cheio de velinhas, aromas, flores e toalhas felpudas, com direito a ofurô e hidromassagem. A piscina é grande, com direito a pequena ilha no centro.

    A pousada Araxá não é tão vistosa quanto as citadas anteriormente, mas, além de ter preços um pouco mais em conta (diárias a partir de R$207, na baixa, e R$292, na alta), apresenta um trunfo e tanto: alguns quartos têm um terracinho privado, com vista para a praia e para as dunas, com direito a hidromassagem ao ar livre (esse custa R$350, na baixa, e R$490, na alta). Isso, em um lugar onde chove tão pouco, apresentando noites sempre claras e com luas comoventes, é um convite e tanto para se passar horas ali, à toa, como diria Olavo Bilac, ouvindo estrelas…

    O Globo/AC