A informação, disponível mas pouco usada

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  • Postado em 25 de janeiro, 2012


    O Estado de S.Paulo

    EDITORIAL

    São notáveis os números sobre a formalização de micro e pequenas empresas. Em 2011, só o programa Microempreendedor Individual (MEI) permitiu a formalização de 1,1 milhão de pessoas que trabalham por conta própria. Outros programas vêm apresentando resultados semelhantes.

    No meio de dados auspiciosos, porém, há um fato que merece reflexão: o desconhecimento de boa parte desses empreendedores das possibilidades de expansão de seus negócios.

    Custa relativamente pouco, no máximo R$ 36,10 por mês, para o empreendedor individual regularizar sua situação perante o Fisco e assim habilitar-se para a obtenção de financiamento bancário e dispor de benefícios previdenciários. Mesmo assim, estima-se que metade desses empreendedores não faz o pagamento regularmente.

    “Ainda não sabemos ao certo o motivo da inadimplência”, disse ao Estadão PME o gerente de Políticas Públicas do Sebrae-SP, Julio César Durante. “Pode ser falta de organização ou de recursos. Ou até mesmo falta de informação.”

    Não é improvável que seja uma combinação desses fatores. Um deles, a falta de informação, é apontado com frequência como limitador dos negócios.

    Por desinformação, muitos empreendedores de pequeno porte deixam de utilizar os recursos financeiros colocados à sua disposição. Às vezes, desconhecem a existência de linhas de financiamento. Outras vezes, não se informam adequadamente a respeito das exigências e, mesmo dispondo de condições para atendê-las, não o fazem por desconhecimento.

    Também por falta de informação, muitos empreendedores não aproveitam oportunidades de negócios que estão surgindo em razão dos preparativos do País para grandes eventos esportivos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Igualmente as oportunidades que surgem no comércio eletrônico são desperdiçadas por desinformação. Mais grave para o crescimento e a modernização do empreendimento é o desconhecimento dos mecanismos que estimulam a inovação – bem geridos, os programas de inovação podem tornar-se o elemento distintivo de uma empresa vencedora de outra condenada à estagnação.

    Esses fatos parecem sugerir que, para muitos micro, pequenos e médios empreendedores, não basta colocar a informação à sua disposição, pois, embora haja muita informação disponível, ela não chega aos interessados. É preciso levá-la a mais empreendedores. E esta é uma tarefa do governo e do setor privado, por meio das entidades preocupadas com a sobrevivência e a expansão dos pequenos e médios empreendimentos.

    O Estado de S. Paulo/AC



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