A hora do protagonismo dos municípios

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  • Postado em 31 de maio, 2016


    Foto Helcio Tokeshi

    O Rio de Janeiro é um claro exemplo da capacidade de planejamento de infraestrutura. A afirmação é de Helcio Tokeshi,  consultor em infraestrutura  com experiência no setor privado e na administração pública. Ex-executivo da BP, Tokeshi diz que a melhoria da qualidade de vida da população tem que ser planejada a partir da dinâmica de cada cidade e não da União. Para isso, ele defende a necessidade de uma padronização de processos que estabeleça uma burocracia técnica estável nos municípios.

    Além da melhoria em processos, a atuação de organizações da sociedade civil no planejamento da cidade também é apontada como fundamental para dar garantia de segurança aos investidores. “A sociedade civil deve estar engajada, não só validando, mas participando da criação de planos de longo prazo que não sofram impacto de mudanças de governo. O processo de planejamento precisa ser ancorado na ideia que isso transcende mandatos políticos”, afirma o consultor. Tokeshi ressalta que a padronização também serve para ajudar o governo federal na atração de investimentos. “Uma cidade não consegue criar volume suficiente para atrair investimentos maciços em serviços essenciais, mas, com a padronização, os governos estaduais e Federal podem formar projetos regionais com ações locais.”

    Ainda falando sobre a atratividade do investidor estrangeiro, Tokeshi alerta que, mais importante do que uma solução fechada, é apresentar uma boa base de informações. “Do ponto de vista do investidor estrangeiro, por vezes não interessa ver uma solução completamente amarrada, pois isso inibe a criatividade. O necessário é ter uma base de informações bem estabelecida, para o investidor ir atrás do resto”, reforça.

    Rio de Janeiro deve ajudar outros municípios

    No financiamento para obras de infraestrutura através de parcerias Público-Privadas, o Rio de Janeiro é referência e, para Helcio Tokeshi, os processos e expertise de financiamento desenvolvidos na cidade deveriam ser replicados pelo Brasil. Em seis anos, a cidade recebeu US$ 23 milhões em investimento em infraestrutura – US$ 8 bilhões do poder público e US$ 15 milhões do setor privado – com geração de 106 mil empregos, segundo consolidado realizado pela Rio Negócios, agência de atração de investimentos da cidade. O Porto Maravilha – programa de recuperação da região portuária – é a maior PPP do país.

    Com a transformação sofrida nesses últimos seis anos, Tokeshi afirma que o Rio de Janeiro voltou a ter o protagonismo de inovação no Brasil e pode avançar a partir do legado dos Jogos, graças às melhoras de mobilidade e conectividade. O Rio de Janeiro já anunciou o plano estratégico da cidade para 2017-2020. O investimento em infraestrutura tem foco na habitação, iluminação, mobilidade e saneamento.



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