A angustiante espera por notícias

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  • Postado em 27 de janeiro, 2012


    Roberto Wagner

    Rio de Janeiro – O coração da capital fluminense amanheceu ontem coberto de poeira, fumaça e tensão. Horas depois do desabamento de três prédios no Centro da cidade, na noite de quarta-feira, os arredores da praça histórica do Theatro Municipal eram palco de uma tragédia. Os protagonistas dividiam-se entre parentes angustiados que buscavam informações dos familiares desaparecidos e agentes públicos que corriam contra o tempo, à procura de sobreviventes entre os escombros.

    Localizados a poucos metros da área conhecida como Cinelândia, por onde passam milhares de pessoas diariamente, os edifícios que foram ao chão destroçaram também o sentimento de pelo menos 26 famílias, que faziam vigília perto do emaranhado de concreto e metal e mantinham a esperança de encontrar algum parente com vida.

    Em meio ao sofrimento, havia uma exceção. O sorriso tímido, porém de grande alívio, do pintor Alexandro da Silva Fonseca Santos, 31 anos, ao deixar o hospital sem nenhum ferimento grave, era um sentimento isolado, que contrastava com o sofrimento dos familiares de quem não teve a mesma sorte. A serviço em uma obra no nono andar do Edifício Liberdade, ele observou a queda de pedaços da estrutura do prédio e correu para o elevador. “Quando eu entrei, o elevador despencou. Na hora, eu só pensava na minha família e achei que iria morrer”, relatou Alexandro, que foi salvo pelos bombeiros horas depois da tragédia. Ele ainda conseguiu telefonar para um amigo do elevador.

    Informações

    Até o fim do dia, muitas famílias permaneciam em frente ao edifício da Câmara Municipal, bem perto do Theatro Municipal, em busca de informações sobre os parentes desaparecidos. Entre elas, a diarista Francisca Eunice, que aguardava notícias da amiga Margarida Vieira Carvalho, que trabalha como costureira. “Estou aqui a pedido da família dela, que é toda do Ceará. Eles querem que o enterro seja feito lá e estou aguardando informações sobre ela”, disse Francisca, mesmo sem a confirmação de que a amiga havia morrido.

    Margarida era a esposa do porteiro do Edifício Liberdade, Cornélio Ribeiro Lopes, 73 anos, a primeira vítima a ser reconhecida entre os corpos retirados pelo Corpo de Bombeiros. Até o fechamento desta edição, Margarida continuava desaparecida.

    Correio Braziliense/AC